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Literatura Espirita - Método de Leitura Crítica

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Literatura Espirita - Método de Leitura Crítica

A PEDRA DE TOQUE é a Codificação Espírita, lembrando que Allan Kardec, sempre considerou a Doutrina Espírita uma doutrina aberta e que não foi ditada completa, cabendo aos homens completá-la.

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Um Método de Leitura

Nesta terceira semana de março estarei iniciando uma série de postagens com objetivo de esclarecer sobre um método efetivo de leitura e ainda mais: esclarecimentos sobre a filosofia que norteia a Doutrina Espírita.

Entendo Espiritismo não como uma religião, seja qual for a natureza que tenha no seu papel com a evolução do homem e sua relação com Deus. O Espiritismo, a bem da verdade, pelos princípios que o norteiam, pelas características filosóficas - científicas morais que apresenta, é um CONHECIMENTO TOTAL, que age no sentido de destruir o estado de ignorância do Espírito imortal, esclarecendo-o quanto sua localização e finalidade, no Universo infinito.

Restringir-se à crença é o mesmo que colocar-se à margem de um saber que precisa ser construído em todos os momentos experimentados pelo Espírito em sua caminhada evolutiva. A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ESPIRITA, exige mais esforço de aprendizagem do que de crença. É o que veremos ...

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Métodos de Leitura: o problema do conhecimento

Iniciado por aacn 21. Mar, 2008.

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Alexandra Comentário de Alexandra em 13 abril 2009 às 8:37
Sem dúvida que é fundamental o estudo doutrinário...sem ele, apenas navegaremos superficialmente nas águas do Espiritismo.
Alan Kardec elaborou em 15 anos estas obras que vieram revolucionar a visão da vida.....trouxe-nos o Consolador prometido. Que abençoados nós somos, os espíritas, por o saber!! Daí a nossa maior responsabilidade perante os nossos irmãos...Devemos assim esforçarmo-nos por sermos disciplinados no seu estudo para ampliarmos nossa visão espiritual e para tomarmos maior consciência de nós próprios. Já Emmanuel dizia a Chico Xavier: disciplina, disciplina, disciplina.
Bem hajam...
sonia Comentário de sonia em 9 abril 2009 às 0:14
Julgo essencial o estudo sistematizado da doutrina Espirita.Pois muitos conceitos nóvos estão sendo introduzidos .Só poderemos ter dicernimento para analizar se são verdadeiros ou não,se tivermos um amplo conhecimento do espiritismo.É o estudo quem nos dará este conhecimento .Vale recordar a frase que está no Evangelho: Espíritas! amai-vos, eis o primeiro ensino; instruí-vos, eis o segundo. ...
Victor Manuel P.Passos Comentário de Victor Manuel P.Passos em 18 abril 2008 às 9:22
Como estudar o Espiritismo ?

Paulo Roberto Wollmer

"Acrescentemos que o estudo de uma doutrina, qual a Doutrina Espírita, que nos lança de súbito numa ordem de coisas tão nova quão grande, só pode ser feito com utilidade por homens sérios, perseverantes, livres de prevenções e animados de firme e sincera vontade de chegar a um resultado. Não sabemos como dar esses qualificativos aos que julgam a priori, levianamente, sem tudo ter visto; que não imprimem a seus estudos a continuidade, a regularidade e o recolhimento indispensáveis. Ainda menos saberíamos dá-los a alguns que, para não decaírem da reputação de homens de espírito, se afadigam por achar um lado burlesco nas coisas mais verdadeiras, ou tidas como tais por pessoas cujo saber, cujo caráter e convicções lhes dão direito à consideração de quem quer que se preze de bem-educado. Abstenham-se, portanto, os que entendem não serem dignos de sua atenção os fatos. Ninguém pensa em lhes violentar a crença; concordem, pois, em respeitar a dos outros.

O que caracteriza um estudo sério é a continuidade que se lhe dá. (...)".

Allan Kardec foi quem fez esta importante colocação em o Livro dos Espíritos, capítulo VIII, Introdução, o que consideramos um alerta para os que, ao se aproximarem do Espiritismo o julgariam ou o questionariam sem o devido estudo prévio.

Na nossa vivência diária como espíritas, acostumamo-nos a conversar com as pessoas que estão aproximando-se do Espiritismo e sermos bombardeados por uma série de perguntas, as quais geram respostas que intrigam aqueles que as fazem. Somos da opinião de que em qualquer crença, as seguintes respostas deveriam dadas com muita clareza : O que somos ? De onde viemos ? Para onde iremos ? O que é Deus ? Devo ser bom ? Por que ? ... e assim por diante.

Recorreremos ainda às palavras de Bruno Bertocco, em seu livro intitulado Deus : "O que toda criatura desapaixonada, equilibrada, sincera e honesta deve fazer, antes de julgar qualquer coisa, de fazer suas críticas a seu respeito, de negá-la ou aceitá-la, é, inicialmente, adquirir as respectivas informações concernentes à sua existência, aproximar-se para o devido reconhecimento da sua natureza, através da pesquisa e do estudo dos fatores relacionados à sua causa, ou dos fenômenos produzidos pelas forças originárias da parte fundamental, podendo desta forma, com conhecimento de causa, tirar suas conclusões, baseadas nos fatos, e formular seu veredicto com justeza, a respeito de tal coisa."

Muitas pessoas aproximam-se do Espiritismo pelos mais variados motivos, no entanto poucas conseguem perseverar no estudo necessário para entendê-lo, ficam à margem, deslumbradas por alguns de seus aspectos e com grandes dúvidas sobre outros.

É por isso que o movimento espírita tem enfatizado ao longo do tempo a necessidade da implantação do estudo sistematizado da Doutrina Espírita em cada centro espírita. Lembrando o memorável Herculano Pires ( 1914-1979 ), o Espiritismo ainda continua um "desconhecido", e a maioria , movida pela ânsia de soluções imediatistas, ainda não busca uma nova filosofia de vida, a par de uma explicação para o porquê "do ser, do destino e da dor".

O slogan "Comece pelo começo" utilizada nas campanhas promovidas pela U.S.E. União das Sociedades Espíritas do Estado de São Paulo, tendo como figura nos cartazes as obras da Codificação ( O Livro dos Espíritos, O Livro dos Médiuns, O Evangelho segundo o Espiritismo, O Céu e o Inferno e A Gênese ) pode parecer óbvio, no entanto constatamos que muitas pessoas que são espíritas ou as que estão estudando o Espiritismo há algum tempo não começaram pelo começo, muitas vezes nem O Livro dos Espíritos chegaram a ler. Ora, nada mais aconselhável se quisermos estudar o Espiritismo, devemos começar pelo começo e o começo é a Codificação.

Depois de Allan Kardec, o codificador do Espiritismo, podemos citar autores importantes como Léon Denis, Gabriel Delanne, Ernesto Bozzano, Camille Flamarion, Herculano Pires, Deolindo Amorin, Eliseu Rigonatti, Yvone A. Pereira, Hermínio C. Miranda, Martins Peralva,Caibar Schutel, Richard Simonetti e muitos outros, além é claro dos autores espirituais Emannuel, André Luiz, Humberto de Campos, Manoel Philomeno de Miranda e vários outros.

Há muito para ler e estudar, torna-se necessário uma boa organização por parte daquele que vai estudar o Espiritismo, para não empregar o tempo de forma equivocada, seja não começando pelo começo, ou lendo obras pseudo-espíritas ou controvertidas, sem pureza doutrinária. Que cada um analise sua posição perante a pergunta que intitula este artigo e encontre o caminho correto, sendo que esperamos ter humildemente ajudado com este pequeno trabalho.

Bibliografia:
O Livro dos Espíritos, Allan Kardec
Livro Deus, Bruno Bertocco
aacn Comentário de aacn em 8 abril 2008 às 0:18
Olá Rita

Se você não estudou as obras de Kardec não posso dizer que teve contato com a Doutrina Espírita. São poucos os centros que podem ser considerados espíritas de fato, todos os demais não passa de triste arremedo ou imitação grosseira. O Espiritismo é algo sublime, pois prima pelo estudo sério, é pura filosofia e correta ciência.

"amai-vos; instruí-vos
Na maior parte das vezes não sei o que é mais difícil realizar: o amai-vos ou o instruí-vos. Acredito que a ordem de dificuldade é a mesma para ambos. Mesmo dedicando-se com exclusividade ao Evangelho de Jesus, o amor fica muitas vezes distante, objeto apenas de discurso que a prática expõe a dificuldade. O instruí-vos tanto quanto o amai-vos depende de esforço, renúncia, prática e desprendimento das coisas terrenas. Não vejo como conquistar um sem o outro: são inseparáveis e se articulam reciprocamente, complentam-se e integram-se.

Estudar não é tarefa fácil
A problemática do CONHECIMENTO nos remete à questão fundamental: o que é a verdade? Consultando a obra Questões Epistemológicas, Hilton Japiassu no fala que a CATEGORIA DE VERDADE não pode mais ser concebida como o cimento da TEORIA DO CONHECIMENTO porque no mundo plural em que vivemos não existe a verdade mas verdades sempre produzidas e elaboradas dentro desse contexto.

A Prof.ª Ana Maria destaca os modos diversos de relacionamento do ser humano com o CONHECIMENTO e faz da crítica o instrumento de desvelamento do real.

Mas o conhecimento visto como produzido e transmitido na e pela sociedade exige que se compreenda COMO E PORQUE ELE SURGE HISTORICAMENTE. Essa posição de Kal Marx é apresentada pela Prof.ª Dirce Solis.

Para entendermos bem a METODOLOGIA DE CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO ESPÍRITA precisamos entender como se constrói o conhecimento comum. Para começar farei uma curta explanação sobre as FORMAS DE CONHECIMENTO: Ciência, Senso Comum, Mito, Filosofia e Teologia.

CIÊNCIA

- ciência é conhecimento;
- saber que se adquire pela leitura e modificação, instrução, sabedoria;
conjunto organizado de conhecimento sobre um determinado objeto, em especial obtidos mediante a observação, a experiência dos fatos e um método próprio;
soma de conhecimentos práticos que servem a um determinado fim;
processo pelo qual o homem se relaciona com a natureza visando dominá-la em seu benefício;
os conhecimentos humanos considerados em conjunto.

SENSO COMUM

- conjunto de opiniões tão geralmente aceitas em época determinada que as opiniões contrárias aparecem como aberrações individuais;

MITO

- narrativa dos tempos fabulosos ou heróicos;
narrativa de significação simbólica, geralmente ligada à cosmologia e relativa a deuses encarnadores das forças da natureza e/ou de aspectos da condição humana;
- representação de fatos ou personagens reais, exagerados pela imaginação popular, pela tradição, etc.
- pessoa ou fato assim representado ou concebido;

- idéia falsa, correspondente na realidade;
- imagem simplificada, não raro ilusória, da pessoa ou de acontecimento, elaborada ou aceita pelos grupos humanos, e que tem significativo papel em seum comportamento,
- coisa inacreditável; irreal, utopia.

FILOSOFIA

- estudo caracterizado pela intenção de ampliar incensantemente a compreensão da realidade, no sentido de aprendê-la na sua inteireza, quer pela busca da realidade capaz de abranger todas as outras, o Ser, quer pela definição do instrumento capaz de apreender a realidade, o Pensamento, tornando-se o homem tema inevitável de consideração;
- conjunto de estudos ou considerações que tendem a reunir uma ordem determinada de conhecimentos (que expressamente limita seus campos de pesquisa, por exemplo, à natureza ou à sociedade ou à história, ou a relações numéricas, etc.). Num reduzido número de princípios que lhes servem de fundamento e lhes restringem o alcance;
- razão, sabedoria.

TEOLOGIA

- estudo das questões referentes ao conhecimento da divindade, de seus atributos e relações com o mundo e com os homens e a verdade religiosa.

O resumo feito acima, não tem por fim colocar o problema sobre os vocábulos, apenas apresentar conceitos que podem ser reformulados, uma vez que se apresentam aparentemente definitivas - só aparentemente! Quando nos voltamos para o real, percebemos novos dados que nos fazem indagar a respeito do sentido da verdade.

Na próxima postagem vou escrever um pouco sobre o PROBLEMA DA VERDADE segundo o ângulo apresentado por Hilton Japiassu. Por hora deixamos fraqueada a palavra para as considerações sobre o que foi postado até aqui.

Critica não é falar mal...
Kardec utilizava a crítica como ferramenta de construção de conhecimento. Sem ela não existe Ciência, sem ela não existe Espiritismo. Veja por exemplo: " Suponhamos que sejam homens que nos escrevem, e julguemo-los da mesma maneira. Julguemo-lo severamente, pois os bons Espíritos de modo algum se sentirão ofendidos com esta escrupulosa investigação, porque são eles próprios que a recomendam como meio de controle, Sabemos que podemos ser enganados. Portanto, nosso primeiro sentimento deve ser o de desconfiança. Os maus Espíritos, que nos procuram induzir em erro podem temer o exame porque, longe de o provocar, querem ser acreditados sob palavra" (Revista Espírita - setembro de 1959).

A crítica faz parte da leitura. Temos dois modos de leitur: leitura por prazer e Leitura Crítica. Dissertarei oportunamente sobre as duas. A segunda era utilizada por Kardec, muito naturalmente. Kardec não aceitava a OPINIÃO ... examinava a opinião. Tanto em sua necessidade de acabamento quanto em seu princípio, a ciência opõe-se radicalmente à opinião. Se, em algum ponto particular, ela legitima a opinião é por razões diferentes daquelas que fundam a opinião.; sendo assim, de direito, a OPINIÃO ESTÁ SEMPRE ERRADA. A opinião pensa mal; ela não pensa: ela traduz necessidade em conhecimentos. Ao designar os objetos por sua utilidade, ela se impede de conhecê-los. NADA PODE FUNDAMENTAR-SE EM OPINIÕES: primeiramente é necessário destruí-las. É o primeiro obstáculo a ultrapassar. Não bastaria, por exemplo, retificá-la em alguns pontos a manter, como uma espécie de moral provisória, UM CONHECIMENTO VULGAR PROVISÓRIO. O Espírito científico nos proíbe de ter uma opinião sobre questões que NÃO SABEMOS FORMULAR CLARAMENTE. Antes de mais nada, é preciso saber colocar o problema; na vida científica os problemas não se colocam por si mesmos. Esta capacidade de colocar o problema é precisamente a marca do espírito científico. Para um espírito científico TODO CONHECIMENTO É UMA RESPOSTA A UMA QUESTÃO.

Se não houve questão, não pode haver conhecimento científico. NADA É ÓBVIO, NADA É DADO, TUDO É CONSTRUÍDO ...

O Espiritismo portanto, por ser também uma Ciência, não admite OPINIÃO como conhecimento construído. Sem a LEITURA CRÍTICA não há como separar a OPINIÃO, isolá-la e descartá-la. O Espiritismo não se faz de OPINIÃO.

O senso comum caracteriza-se como um conjunto desagregado de idéias e OPINIÕES DIFUSAS e DISPERSAS que FAZEM PARTE DE UM PENSAMENTO GENÉRICO de uma época ou de um certo ambiente popular.

Nesse sentido, dizemos que o SENSO COMUM é histórico, isto é, produzido por determinadas condições da prática social real e concreta dos homens em uma época.

Mas por que o designamos senso comum? Porque consideramos o fato dele trazer em seu bojo caracterísiticas globais daquilo que chamamos CONHECIMENTO COMUM dos homens. O conhecimento comum é construído geralmente de modo imediato, a partir da observação, das experiências, vivências, atividades humanas. Esta imediatidade à percepção humana, isto é, pelo fato das atividades humanas e os fenômenos em geral se apresentarem aos homens como dados acabados, como resultados e não como um processo de relações complexas e contraditórias. Daí, a apreensão empírica das coisas, a aparência de estaticidade, imutabilidade e eternidade das relações; e ainda, o fato do senso comum apreender o "aparente", a "sombra", aquilo QUE LHE PARECE ÓBVIO como sendo o real, a "luz", o DEFINITIVAMENTE CLARO e VERDADEIRO.

As razões pelas quais a prática dos homens se lhes apresenta OPACA na realidade, embora aparentemente clara e evidente, decorrem quando da IDEOLOGIA DOMINANTE.

O SENSO COMUM ESTÁ IMPREGNADO DE IDEOLOGIA, , traduzindo-a na consciência imediata dos homens, de tendência nitidamente CONSERVADORA e CONFORMISTA.

A superação do senso comum se faz, então, necessária para ATINGIR O CONHECIMENTO DO REAL.

MAS SÓ É POSSIVEL COLOCAR UMA CERTA CLASSE SOCIAL EM MARCHA AO CRITICAR A SUA CONSCIÊNCIA IMEDIATA.

Não se deve termer a crítica .
 

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